A PROCURA DA POESIA PERFEITA
1. Raymond Carver — Vinho Tardio (Late Wine) - Este poema resume a calmaria do amor maduro na maturidade, o companheirismo silencioso e a gratidão pelas pequenas coisas da rotina compartilhada.
Vinho Tardio
a chuva fina que caía sobre os arbustos.
Nenhum de nós dizia nada. Estávamos apenas cansados
após um longo dia de trabalho, contentes por estar ali,
juntos e em silêncio, vendo a luz sumir.
O amor que temos agora é um vinho tardio —
não tem a pressa ou a fúria da colheita jovem,
mas tem o gosto profundo da terra que descansou.
Você colocou a mão sobre o meu ombro.
E foi o suficiente para o resto da noite."
2. Wisława Szymborska — Um Amor Feliz (Miłość szczęśliwa) - Szymborska questiona a obsessão do mundo pelo amor dramático e tumultuado (a paixão), exaltando o amor que traz paz, estabilidade e cumplicidade comum.
"Um amor feliz. Isso é normal?
É sério? É proveitoso?
O que o mundo ganha com dois seres
que não veem o mundo ao redor?
(...)
Olhem para eles: mal jantam na penumbra,
mal se movem na rotina que os acolhe.
Mas quem ganha com isso? Ninguém.
Os mesmos privilégios da calmaria,
a mesma justiça de estar no mesmo teto.
É uma conspiração contra o segredo do caos!
(...)
Que os que nunca encontraram um amor feliz
digam que tal coisa não existe em lugar nenhum.
Com essa fé, ser-lhes-á mais fácil viver e morrer."
3. Pablo Neruda — Soneto XVII (De Cem Sonetos de Amor) - Este é o ápice da transição da paixão idealizada para o amor concreto. Neruda canta o afeto que não precisa de aparências, que se enraíza na própria existência do outro.

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